quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Mestre Amargo

Por Nicholaj de Mattos Frisvold
Do original The Bitter Master 

“Nunca ceda a tentação da amargura.”
- Martin Luther King Jr.

A vida propriamente pode ser uma jornada, um rio, caos, devastação e uma confusão intolerável. Quando montamos nosso cavalo, camelo, burro ou mula e cavalgamos no mundo e buscamos fortuna. No caminho em direção a fortuna, o rio e estrada podem se transformar em correntes erráticas ou tempestades de areia que nos tiram do curso. Qualquer desvio é uma experiência nova e em cada nova experiência reside o crescimento e a rejeição. Se nos aproximamos com interesse estas estações na vida nossas escolhas nos carregam e encontraremos verdes pastos e maçãs envenenadas. Esta é a emoção do viver.

Acredito que todos nós manifestamos um complexo conjunto de virtudes planetárias fundidas e misturadas com as experiências que realizamos no mundo. Nossa alma estelar fica condicionada pelo mundo em que vivemos, e nossa alma inocente absorve e segue, reage e age. Nadamos em emoções e pensamentos – e somos constantemente arremessados à encruzilhada para fazer a boa e a má decisão. Esta é a forma em que se acumula o conhecimento. É assim que podemos conhecer a amargura como algo diferente da doçura – e nestes dois pólos a vida dança para frente e para trás – como um ventoso rio de esperança, amor, desespero e todas as formas de êxtase.

A vida é boa, mesmo quando nadamos em absinto, pois a vida nasce do amor – e o remédio é geralmente amargo – assim em lagos de absinto, há somente uma coisa a se fazer, e é declarar: “Estou pronto! Dê-me! Eu consigo tomar!” E enquanto você nada adiante, piscinas de mel surgirão como um consolo dado miraculosamente. Resolver a amargura em um espírito interessado irá liberar o mel interior e fornecer o oásis necessário para o recolhimento do Self – e seguir adiante. Esperançosamente mais forte, mais amoroso e mais consciente de quem somos.

Mas infelizmente há aqueles que tomam grandes goles do absinto, cuspindo-o enquanto amaldiçoam, bebendo-o outra vez e mais outra. Alguns vêem isso como heróico, e sim, é uma batalha heróica em seu próprio lago de amargura – este é o verdadeiro jihad, a guerra sobre seu próprio self inferior, os famintos nafs! Quem conquista o amargo inimigo interno é realmente um herói. Pior é com aqueles que deificam seu próprio absinto amargo e se tornam mestres da vida amarga. Amagura é nascida do sofrimento e mágoa. Amargura mata o amor e é o pai da raiva. Se andarmos no caminho da raiva por muito tempo, tudo será perdido – até o nosso Caminho.

Existem sabedorias e advertências nisto, porque os mestres amargos logo se transformam em mestres da gula espiritual e se posicionam e se declaram patriarcas de conselhos e ordens. Isto é feito como uma tentativa de gerar uma estrutura no absinto e a disfunção se define no sistema, trazendo a vanglória e a arrogância. É uma exaltação de amargura que se desenrola e dá luz ao Extraviador.

No budismo tradicional, o extraviador se veste como Mara, cuja forma mais popular é a da Morte. Mas os poderes de Mara podem ser encontrados em qualquer estado emocional imaturo e também nos fatores temporais que levam à morte na existência condicionada. É o obstáculo da dúvida e da tentação – a força que atrai o vil em todos, e faz com que este seja o caminho extraviado no qual projetamos nossas vidas.

Para Buddha, Mara era tão importante para a compreensão e realização de propósito quanto o mestre. Mara é o extraviador, o desafiador, o poder que te encoraja a se manter no caminho do Destino ao lhe dar opção, desvios, alternativas e seduções. Mara é a antítese de Destino, o princípio de oposição que nos mantém na trilha do destino. Mara é a fronteira e é o que acontece quando forçamos os limites. É o apego aos poderes do sofrimento no mundo.

Lemos no Mahaavagga a seguinte mensagem de Mara para Buddha:

“Estás atado por todas as armadilhas,
Por ambos, as dos devas e as dos homens
Em grande armadilha estás atado,
Recluso, não serás liberto de mim”

Mara está constantemente ativo em nossas vidas como algo que ameaça seduzir-nos ao desespero e nos atar ao sofrimento. Todo sofrimento se origina por dentro. É um estado indesejável, e se o sofrimento não for aniquilado ele alimentará o Mara interno. O Mara interno provocará ingratidão em suas crias. Ele lhe aconselhará a aqueles que sofrem a cortar a cabeça do mestre – ou pelo menos usar o mestre como bode expiatório -, colocando toda a culpa de suas próprias más decisões sobre os outros. Um mundo hostil toma forma ao redor daquele que sofre, o sofrimento se torna a realidade, e através disto o fornecimento de nutrição ao mau caminho. O mau caminho confunde a armadilha com heroísmo, e o sofredor se torna vítima de estados emocionais imaturos que buscam somente a destruição, pois a cidade da destruição é aquela que o sofredor construiu para si. O sofredor irá constantemente lançar as cinzas de sua própria amargura no mundo, demonizando seus amigos e recusando-se a ouvir a sabedoria, porque a voz da raiva fala muito mais alto – e na cidade da Ira, o rei odioso é tirano da Morte e vice-rei da hoste do sofrimento.

Vemos isso em toda parte, sofredores que tentam sobreviver num mundo hostil que resolveram construir para si. Mas a solução para acabar com sofrimento não é se mudar para a cidade da tristeza e ira, mas enxergar cada desafio como uma oportunidade de alcançar o Self e conhecer Destino. O remédio é o salto nos lagos de absinto com uma alma de mel – porque o mel nunca amargará.

Versão de Katy de Mattos Frisvold, autora do blog Espelho de Circe.

sábado, 19 de maio de 2012

Enteógenos: um breve estudo sobre as Plantas Psicoativas

Nesta nova fase onde peregrinos das Artes – e aqui incluo os peregrinos das artes como o Paganismo, Neopaganismo, Bruxaria Tradicional,Wicca, etc – se aprofundam mais nos estudos históricos e antropológicos, estes se deparam com a menção aos ungüentos e poções. Apesar do grande número dos modernos substitutos (inócuos) que circulam em livros e pela internet, a este ponto deve ser de comum conhecimento que vários de nossos antepassados, aderentes destas trilhas indomadas, usavam as chamadas “ervas de poder”. São comuns as menções à mandrágora, à beladona, a arruda síria e outros “intoxicantes” – ervas com a capacidade de fazer a bruxa “voar para o Sabbath”, ou induzir uma volúpia venusiana, curativas ou venenosas… O fato é que todos gostariam de saber – mesmo que não seja para uso pessoal – como eram preparados estes ungüentos e beberagens. Então como poderíamos abordar estas plantas tão perigosas?

Existem duas maneiras de se aprender a lidar com elas. Uma delas é conhecer uma pessoa experiente com a coleta, manipulação e preparação de plantas de poder – o que pode ser providenciado através de uma transmissão dentro de um coven, grupo, família ou até mesmo um curso especializado neste assunto (credenciais e/ou indicações são muito importantes neste caso). A outra maneira é cercar-se de boa literatura sobre o tema, pesquisar e experimentar muito. E lógico que este é o caminho das pedras, o que envolve um risco bastante aumentado. Então eu, pessoalmente, não indico que se façam experiências solitárias ou que façam experiências com substâncias ilegais. Aliás, gostaria de deixar claro que a série de artigos que pretendo escrever visa somente trazer luz sobre o assunto contando com uma farta literatura sobre o tema e minhas experiências pessoais. Em nenhum momento estou propondo que você faça mais do que estudar o tema, e se isto porventura passar para o campo da experiência, deve-se ter em mente que você está fazendo isto por sua própria conta e risco.

Mas o que são plantas enteógenas?

Leia mais no artigo publicado no Bruxaria.net, que dá início a uma interessante série sobre as plantas de poder.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Introdução aos Guardiões e Atalaias da Natureza

A Humanidade Arcaica tinha, na sua génese, uma percepção e assimilação dos fenómenos naturais em nada a ver com a maior parte dos seres humanos de hoje. Entre várias justificações, poderá mencionar-se o facto de actualmente sermos seres sociais mais distantes dos espaços verdes (locais, aliás, cada vez mais raros e/ou inexistentes) dos meios urbanos, onde se concentra a maior parte da população, que tenta fugir das regiões rurais, onde, por excelência, se avistam as terras, montanhas, rios, etc. em todo o seu esplendor. Esses locais são também zonas de referência para todos os amantes da natureza, e maravilhosos spots de culto ritualístico pagão, onde as forças do Divino estão indiscutivelmente mais presentes (...)


Leia o artigo completo em: Nas Sinuosas Encruzilhadas da Noite
Artigo por Aquam [Nas Sinuosas Encruzilhadas da Noite] 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ética Ecológica, Moralidade e Lei Tríplice: A desconstrução da Wicca das Massas

Entre o fim do séc. XIX e os anos 40 do séc. XX, foram sendo descobertos artefactos que demonstravam a predominância do género feminino em sociedades arcaicas como sacerdotisas e curandeiras, teorias essas que viriam a acompanhar a emergência do Feminismo e que viriam a fundamentar a possibilidade desses papéis nas mulheres. Aliado a isto, o neo-paganismo (essencialmente a Wicca) que engordava na visibilidade perante o público, tinha vindo a demonstrar, igualmente, um culto matriarcal da Deusa-Mãe, apesar das inúmeras e vãs tentativas de contra-balançar justamente o princípio feminino e o princípio masculino. Na verdade, isto sentiu-se maioritariamente no público juvenil americano que ansiava pela adesão a movimentos de contracultura, materializando-se num culto com preocupações ecológicas, e abandonando as características inciáticas, mistéricas e fechadas, para se reformular à luz de uma religiosidade civil e aberta (...)

Leia o artigo completo em: Nas Sinuosas Encruzilhadas da Noite

Artigo por Ignis Spiritum | Nas Sinuosas Encruzilhadas da Noite]